Quem Somos

Pastoral da Mulher Marginalizada  – Uma Pastoral Social

 

A Pastoral da Mulher Marginalizada é uma pastoral social atuando no âmbito nacional, ligada ao Setor de Pastoral Social da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Orienta-se pelas diretrizes da CNBB e se relaciona à Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz.

 

 

MISSÃO PMM

 

Ser presença solidária, profética e evangélica junto à Mulher em situação de prostituição construindo relações humanas e humanizadoras.

 

 

OBJETIVO GERAL DA PMM

 

Acompanhar as mulheres na construção de novas relações consigo mesma, com o outro, com a natureza e com Deus para que tenham “vida em plenitude” (Jo 10,10)

 

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

• Ser presença solidária junto às mulheres em situação de prostituição criando laços de confiança e amizade;

• Fortalecer a autoestima da mulher, favorecendo a descoberta de seus dons e talentos e assim, abrir novos caminhos na realização de uma vida plena;

• Suscitar novas relações de gênero na construção de uma sociedade justa e igualitária;

• Conscientizar e sensibilizar a mulher para a busca de seus direitos e exercício de sua cidadania;

• Incentivar o protagonismo das mulheres apoiando-as nas suas tomadas de decisões e organizações;

• Oferecer condições de geração e gerenciamento de renda para aquelas que querem deixar a prostitui­ção;

• Proporcionar meios de uma nova relação com a natureza para o desenvolvimento sustentável;

• Estabelecer redes de parcerias com organismos Governamentais e Não Governamentais para a denún­cia e enfrentamento das formas de violências, feminicidio, tráfico de pessoas, opressão e exploração das mulheres;

• Proporcionar crescimento da fé através de momentos de espiritualidade, valorizando a religiosidade popular.

 

 

Espiritualidade e Mística da PMM

 

A Mística da Pastoral da Mulher Marginalizada é uma mística do caminho, uma Mística em movimen­to que se Encarna a realidade das mulheres excluídas, que Anuncia a Boa Nova do Evangelho, denuncia toda forma de preconceito e propõe novas de relações com entre homens e mulheres, com a natureza e com Deus. Tem seu fundamento na Prática de Jesus, no movimento do povo de Deus e de tantas mulheres da Tradição Cristã que, mesmo tendo sido “caladas” muitas vezes, não deixaram de proclamar a libertação das mulheres. É uma mística integrada a todas as dimensões da pessoa: corpo, afetividade, espiritualidade, mente, relação, etc.

Desde a vida pública de Jesus, as mulheres participavam de modo ativo no anúncio da Boa nova do Reino de Deus. Foi nesta participação que, no pedido de Maria em Caná, Jesus inaugura a sua “sua hora” e realiza o primeiro sinal de sua atividade messiânica. Nas andanças pela Palestina, as mulheres seguiam Jesus com discípulas e contribuíam com o que tinham: bens, companhia, serviço, militância, escuta, partilha, diálogo, teimosia, fidelidade. Sempre os evangelhos narram a presença de mulheres no grupo de Jesus “Aí estavam também algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas estava Maria Madalena, Maria mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé” ( Mc 15, 40)

Elas haviam acompanhado e servido Jesus, desde quando ele estava na Galiléia. “Muitas outras mulheres estavam ai, pois tinham ido com Jesus a Jerusalém” (Mc 15, 41). Estes dois verbos: “Seguir e “Servir” revelam atitudes típicas do discipulado. O serviço é apresentado por Jesus, não como uma idéia de desvalorização da pessoa, mas como um mistério. Jesus também é questionado, desafiado e animado pelas mulheres. Aos poucos ele vai modificando sua maneira de pensar, num processo de abertura ao proje­to do Reino. A Cananéia mostra uma atitude corajosa e perspicaz utilizando as próprias palavras de Jesus para conseguir seu intento. Desafia Jesus e o ajuda a libertar-se das estruturas da lei, (Cf. Mt 15,21-28).

Jesus supera os preconceitos sociais da época dialogando como uma mulher pecadora junto ao poço. (Cf. Jô 4,1-45). Era escandaloso para um homem entrar na casa de mulheres sozinhas e, ain­da mais, permitir que uma delas ficasse a seus pés numa atitude de atenção, escutando seus ensinamentos (Cf. Lc 10,39). Jesus fez Teologia com as mulheres. Ia de casa em casa tecendo relações com elas, e elevando-as à condição de sujeito. Nestes contatos com as mulheres surgem às parábolas, as explicações simples do mundo cotidiano doméstico: fermento, sal, lâmpada, moeda, vassoura, etc.

Mais do que a convivência e o aprendizado, Jesus é amado por muitas mulheres. Elas vão revelando ao Mestre que o cotidiano da vida é feito de pequenos gestos de carinho, de gra­tidão, de silêncio, de beijos e abraços, de muito amor, de muita paixão. (Cf. Lc. 7,36-50).

O Escritor José Antonio Pagola narra que a Jesus amava tão somente as mulheres que as libertava de todas as prisões a que eram submetidas. No evangelho de João 8, 1-11, conta-se que foi levada para Jesus uma mulher apanhada em adultério para ser apedrejada. O texto não narra que também o homem que estava com ela cometia adultério. Os anciões já havia dado a sentença para aquela mulher: apedrejá-la até a morte. Mas eles queriam testar Jesus. O texto narra uma conclusão comovedora, depois que os homens se retiram um a um, após as palavras sábias de Jesus “quem não tem pecado atire a primeira pedra”. Esclarece-nos Pagola que “a Mulher não se move, segue ali, no meio, humilhada e envergonhada. Jesus fica só com ela.

Agora Jesus pode olhá-la com ternura e expressar lhe todo o respeito e carinho. ‘Mulher, nin­guém te condenou? ’A mulher que acabara da escapar da morte, responde atemorizada ‘Ninguém, Senhor’. As palavras de Jesus são inesquecíveis. Nunca poderiam escutá-las aqueles homens adúlteros que saíram irritados. Somente aquela mulher abatida: ‘Tampouco eu te condeno. Vai-te e não tornes a pecar’. Aquela mulher não necessita mais de condenação. Jesus confia nela, quer para ela, o melhor e anima-a a não mais pecar, e, de seus lábios não sai nenhuma condenação” (PAGOLA, 2007 p 22).

 

 

METODOLOGIA E PEDAGOGIA DA AÇÃO PASTORAL

 

A metodologia e a pedagogia da ação pastoral seguem os conceitos e critérios do método Ver, Julgar, Agir e Celebrar, segue os princípios da pedagogia popular de Paulo Freyre, de empoderamento social e histórico da pessoa, e da pedagogia da misericórdia de Jesus com todas/os excluídas/os socialmente. Por isso valoriza e preza pelo desenvolvimento da autonomia das mulheres, como sujeito de direito e deveres da ação pastoral. Para isso, pedagogicamente:

• Desenvolve uma ação que parte dos gritos/demandas das mulheres, sendo a proposta de ação elaborada com elas e não para elas;
• Valoriza os conhecimentos de cada mulher e agrega-os na ação, efetivando na prática seus anseios, desejos e necessidades;
• Mantém-se abertura à crítica, aperfeiçoamento e continua aprendizagem;
• Valoriza a espiritualidade e a religiosidade de cada mulher;
• Busca desmistificar a imagem do poder e da autoridade presente nas pessoas e instituições, abrindo para a participação ampliada e comprometida com o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo;
• Evidencia a construção da autonomia das mulheres e agentes na construção coletiva de novos horizontes e a efetivação concreta de uma ação transformadora;
• Busca a construção histórica do Reino de Deus presente na vida de cada mulher.

A Metodologia parte da concepção de que a ação deve ser efetiva, por isso, no final de cada ação, os resultados são encontrados com facilidades, podendo ser avaliados, medidos e reelaborados, sendo assim, a metodologia é:
• Feita através do Planejamento Participativo;
• Ação- Reflexão- Ação;
• Interdisciplinar ou multidisciplinar;
• Análise constante da realidade;
• Produção de conhecimento que parte da ação;
• Avaliação das experiências e adaptações às novas exigências;
• Vivida de forma conjunta com a mulher.