Histórico

 

Foi em 1963 que tudo começou, quando  a pedido de Dom Antônio Batista Fragoso, bispo do Maranhão que tinha o desejo de desenvolver um trabalho com as mulheres em situação de prostituição no Maranhão, Ceará e Piauí. Para isso, veio ao Brasil três voluntárias francesas da entidade Ninho da França, que trabalhava com mulheres em situação de prostituição. Como conhecia a referida entidade, conseguiu viabilizar o início do trabalho com as mulheres nessas cidades brasileiras.

 

Paralelamente, em 1956, Frei Jean- Pierre Barruel de Lagenest acompanhava em algumas cidades os trabalhos de reinserção social de adolescentes vítimas de exploração sexual, acolhendo-as em abrigos. A convite do então governador de São Paulo, Lucas Nogueira Garcez, que numa campanha contra a prostituição mandara fechar as casas de prostituição no estado de São Paulo,  Frei Jean-Pierre iniciou na época, em 1958, pesquisa sobre o lenocínio e prostituição no Brasil, tendo como respaldo para tal tarefa o Departamento de Serviço

 

Social da PUC, onde também lecionava Serviço Social. Em 1966/67, morando em Recife foi encarregado pelo Instituto Joaquim Nabuco da cidade de orientar uma pesquisa metódica sobre o lenocínio e a prostituição na cidade de Recife.

 

O resultado da pesquisa metódica sobre o lenocínio e a prostituição na cidade de Recife,

 

foi aterrador: enorme proporção de mulheres prostituindo-se (quase uma de cada dez), sendo comum a prostituição de meninas de 10 anos e até menos. O diretor do Instituto, que era ao mesmo tempo um dos diretores do “Diário de Pernambuco”, quis por bem fazer um “furo” jornalístico, e num breve artigo para o jornal publicou algumas das constatações mais escandalosas do relatório da pesquisa.

 

A celeuma levantada na cidade foi enorme, a ponto de o Instituto ter que desistir de divulgar o relatório completo, que ficou engavetado no Arquivo do Instituto Joaquim Nabuco de Recife.

 

Paulatinamente, com a ajuda das voluntárias francesas do Ninho, Edit Benoist, Tânia Micherda

 

e Geneviève Noél, o trabalho com as mulheres em situação de prostituição se estrutura no  Nordeste e equipes são formadas, especificamente no Maranhão, nas cidades de São Luís, Codó, Coroatá, Caxias e mais tarde se espalhando por várias outras cidades da região. O trabalho se amplia no Brasil e vários outros grupos se formam em nível paroquial e diocesano. Em 1974 a Igreja Católica integra para si o trabalho desenvolvido com as mulheres em situação de prostituição. E é nesse mesmo ano que acontece o primeiro Encontro Nacional da Pastoral da Mulher Só e Desamparada que passará a se chamar Pastoral da Mulher Marginalizada a partir de 1980, no 4º. Encontro Nacional. Os encontros nacionais têm o objetivo de tratar, sobretudo, dos objetivos do trabalho com as mulheres em situação de prostituição, definições de linhas

 

de atuação na perspectiva de lutar contra a manutenção da prostituição viabilizando em parceria com o poder público alternativas de vida para as mulheres.

 

A partir de 1981 passam a acontecer, também, os encontros regionais com a participação efetiva de agentes, mulheres e religiosas/os contribuin­do para a reflexão da missão e sistematização das ações da PMM em prol das mulheres em situação de prostituição. Em 1987 a PMM é aceita como pastoral social, pas­sando a ser parte das Pastorais Sociais da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

 

Atualmente a PMM está espalhada pelas cinco regiões do Brasil, em 46 cidades de 13 estados, contando com um Secretariado Nacional, em São Paulo, criado em 1990, com o objetivo de articular e integrar as equipes da PMM em todo o Brasil.